O mercado de fusões e aquisições de empresas no País deverá ter uma expansão de 15% em 2010 em relação a 2009. Com isso, o número de transações tende retornar ao patamar pré-crise registrado em 2007 ou até mesmo superá-lo. A previsão consta de estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC) apresentando nesta quinta-feira (04/02).
“Deveremos sair das 630 fusões e aquisições que tivemos em 2009 e voltar neste ano ao nível de 2007, o que representa cerca de 720 operações e, eventualmente, até superá-lo”, destacou Alexandre Pierantoni, sócio da PricewaterhouseCoopers, no evento “Encontro de Comitês – Fusões e Aquisições – A nova geografia do mercado” promovido pelos comitês de Diretores e Vice-presidentes Jurídicos, Legislação, Finanças, Gestão de Pessoas e Marketing da Amcham-São Paulo na sede da entidade.
Segundo Pierantoni, essas transações perderam o fôlego tão logo eclodiu a crise financeira nos Estados Unidos em setembro de 2008, mas entraram em recuperação a partir do segundo semestre de 2009. No ano passado, o País registrou 630 fusões e aquisições contra 643 em 2008. “Apesar da crise, 2009 fechou no mesmo nível de 2008 e agora seguimos em ritmo de ascensão. Em janeiro deste ano, foram 63 operações, recorde para o mês em relação aos últimos quatro anos”, acrescentou.
Cenário positivo
O sócio da PwC explicou que diversos fatores têm favorecido o movimento de fusões e aquisições no Brasil, sobretudo a robustez do mercado de consumo doméstico e a expansão da infraestrutura, incluindo investimentos na área de petróleo e gás e futuros eventos esportivos – Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016.
Pierantoni avaliou ainda que o fortalecimento dos fundos de private equity no País tem sido fundamental para fomentar as transações, e que o amadurecimento do mercado de capitais também tem funcionado como propulsor. “O mercado de capitais, além de ser uma importante fonte de captação de recursos, consiste em uma moeda de troca que são as ações. Isso também é dinheiro”, explicou.
Em 2010, com o arrefecimento da turbulência global, as instituições financeiras privadas também estão oferecendo mais linhas de financiamentos. Assim como foi essencial durante o período de crise, o especialista destacou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará a fazer grandes liberações com essa finalidade. Em 2009, foram disponibilizados mais de R$ 137 bilhões, um recorde histórico.
De acordo com o Pierantoni, as oportunidades de negócios estão espalhadas em diversos setores da economia brasileira, principalmente alimentos, higiene e limpeza, tecnologia da informação (TI), educação, saúde, energia e infraestrutura.
Rumo ao sucesso
Durante o evento da Amcham, diversos executivos e especialistas deram uma série de orientações que auxiliam no sucesso dos processos de fusões e aquisições.
“O processo de fusão e aquisição é complexo e demorado, e pode levar no mínimo seis meses para ser concluído. A confidencialidade é importante para evitar efeitos negativos na área comercial e até problemas morais. Outro aspecto fundamental é a percepção correta sobre o valor dos ativos para evitar frustração das expectativas. Durante as negociações, as empresas devem continuar operando normalmente, ressaltou Luiz Recchia, diretor executivo do Grupo Stratus, que presta assessoria financeira.
“A agenda de mudanças é grande e os prazos curtos. Nesse sentido, a atuação dos private equities funciona como catalisadora. As transformações devem ser conduzidas pela liderança e os colaboradores que participam desse processo precisam se sentir recompensados, enxergar sua importância no contexto”, afirmou Don Hamill, vice-presidente executivo e chefe de Recursos Humanos da Siemens Enterprise Communications, que teve 51%de seu capital adquiridos pela Gores em operação concluída em outubro de 2008.
“Normalmente, o departamento de Recursos Humanos tem a pretensão de ser um agente protetor e minimizar a dor nessas transições. No entanto, isso só é possível com o envolvimento de toda a liderança”, reforçou Malena Martelli, diretora de Recursos Humanos para América Latina da Siemens Enterprise Communications.
“A integração de tecnologia da informação é um dos pontos mais críticos nas fusões e aquisições. Muitas vezes, a falta de observação e a incompatibilidade dos sistemas podem inviabilizar o negócio “, disse Joan Torres, sócio da consultoria internacional Everis, que atua na área de TI.
“Em nosso caso, a fusão aconteceu por uma questão de sobrevivência, complementaridade de negócios e portfólio. Conseguimos ampliar a inovação e temos agora a expectativa de lançar 15 produtos nos próximos três anos”, pontuou João Sanches, diretor de Relações Institucionais da MSD, empresa resultante da recente fusão anunciada em 2009 entre as farmacêuticas Merck Sharp & Dohme e Shering- Plough.
“Na due diligence (análise de documentos e informações sobre as empresas envolvidas nas operações), além de se verificarem legados fiscais, trabalhistas e relativos ao meio ambiente, devem-se incluir questões da sustentabilidade e ética”, ressaltou Luis Carlos Galvão, vice-presidente jurídico da Unilever no Brasil.
Fonte Amcham (Câmara Americana de Comércio)